Antropólogo, educador e romancista, nasceu em Montes Claros, MG, em 26 de outubro de 1922, e faleceu em Brasília/DF, em 17 de fevereiro de 1997.

Diplomou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1946), com especialização em Antropologia. Etnólogo do Serviço de Proteção aos Índios, dedicou os primeiros anos de vida profissional (1947-56) ao estudo dos índios de várias tribos do país. Fundou o Museu do Índio, que dirigiu até 1947, e colaborou na criação do Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena.

Elaborou para a UNESCO um estudo do impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo.

Organizou e dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia, e foi professor de Etnologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1955-56).

Dirigiu o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais do MEC (1957-61).

Presidiu à Associação Brasileira de Antropologia. Participou com Anísio Teixeira, da defesa da escola pública por ocasião da discussão de Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Foi um dos criadores da Universidade de Brasília, de que foi o primeiro reitor. Foi Ministro da Educação e chefe da Casa Civil do Governo João Goulart.

Com o golpe militar de 64, teve os direitos políticos cassados e se exilou.

Ainda no exílio, escreveu dois romances: Maíra e O mulo, aos quais acrescentou, mais tarde, Utopia selvagem e Migo. Publicou Aos trancos e barrancos, que é um balanço crítico dà história brasileira de 1900 a 1980. Publicou também a coletânea Ensaios Insólitos e um balanço da suà vida intelectual: Testemunho.

Editou, juntamente com Berta G. Ribeiro, a Suma etnológica brasileira. Publicou, pela Biblioteca Ayacucho, em espanhol, e pela Editora Vozes, em português, A fundação do Brasil, um compêndio de textos históricos dos séculos XVI e XVII, comentados por Carlos Moreira e precedidos de longo ensaio analítico sobre os primórdios do Brasil.

Em 1995, lançou seu mais recente livro, “O povo brasileiro”; que encerra a coleção de seus Estudos de Antropologia da Civilização, além de uma compilação de seus discursos e ensaios intitulada O Brasil como problema. Lançou, ainda, um livro para adolescentes, Noções das coisas, com ilustrações de Ziraldo, considerado, em 1996, como altamente recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Em 1976, retornou ao Brasil voltou a dedicar-se à educação e à política, participando do PDT com Leonel Brizola, tendo sido eleito vice-governador do estado do Rio de Janeiro (1982). Foi cumulativamente secretário de Estado da

Cultura e coordenador do Programa Especial de Educação, com o encargo de implantar 500 CIEPs no estado do Rio de Janeiro. Criou também a Biblioteca Pública Estadual, a Casà França-Brasil, a Casa Laura Alvim e o Sambódromo, em que colocou 200 salas de aula para fazê-lo funcionar também como uma enorme escola primária.

Em 1990, foi eleito senador da República, função que exerceu defendendo vários projetos, entre eles uma lei dos transplantes que, invertendo as regras vigentes, torna possível usar os órgãos dos mortos para salvar os vivos. Publicou, pelo Senado Federal, a revista Carta, onde os principais problemas do Brasil e do mundo são analisados e discutidos.

Foi eleito em 1992 para a Cadeira nº 11, nà Academia Brasileira de Letras, tendo sido recebido pelo acadêmico Candido Mendes de Almeida.